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A Importância Geopolítica dos Novos Terminais Flutuantes de GNL e Como Isso Muda o Mercado Mundial de Energia

  • A importação de Gás Liquefeito pode ser uma solução para parte da crise energética de países europeus.
  • O aumento no uso de terminais flutuantes de GNL facilitam a importação de gás e aumenta a diversificação de fontes de energia
  • O GNL (Gás Natural Liquefeito) e os novos terminais de importação mais flexíveis revolucionam o setor energético mundial.

Os terminais de GNL (gás natural liquefeito) têm uma função estratégica na segurança de fornecimento de gás natural, pois promovem flexibilidade de suprimento e diversificam as fontes de oferta do mercado energético.

A dependência energética entre as nações é um fator que move a geopolítica mundial, tornando evidente a forte relação entre esses dois setores, pois segurança energética é uma parte fundamental da geopolítica.  

Se as relações políticas e energéticas entre os países forem consideradas, pode-se perceber facilmente a dependência entre Estados e a acentuada centralização em algumas fontes, como os combustíveis fósseis: petróleo, gás natural e carvão. Já que, mais de 80% da matriz energética mundial ainda provém dos combustíveis fósseis em 2022. 

Sendo assim, terminais de GNL que podem ser produzidos e transportados de forma mais flexível e rápida, estão cada vez mais desempenhando um papel importante da dinâmica energética de grandes consumidores de energia para diversificar suas fontes energéticas.

Fonte: Flex LNG

O que são os terminais flutuantes de GNL e como eles funcionam?

A liquefação do gás natural é a forma mais eficiente de transportá-lo através de longas distâncias por via marítima quando não há a opção de gasodutos terrestres. Para o gás natural ser exportado como GNL, existe uma frota global de navios-tanque modernos conhecidos como navios-metaneiros.

Este é um este tipo de navio capaz de armazenar e transportar o produto até os terminais flutuantes, e uma vez que o gás chega a seu destino que possuem pontos de tratamento, o GNL passa por um processo de regaseificação.

Nos últimos anos o mercado de GNL esteve em expansão e espera-se que a demanda pelo gás liquefeito ainda tenha um aumento de 25-30% até 2030.  Esse aumento deriva de fatores como a expansão de tecnologia de liquefação e regaseificação e o aumento da demanda por energia mais limpa

Em 2022, os Estados Unidos se tornaram os principais produtores de GNL e maiores exportadores do mundo. O relatório da EIA (Energy Information Administration) estimou que as exportações de GNL dos EUA são em média 11,2 bilhões de pés cúbicos por dia. A média diária dos seis primeiros meses de 2022 foi 12% superior à do segundo semestre de 2021.

Portanto, o investimento em novos terminais flutuantes têm sido de grande importância para o setor energético, pois são facilitadores da comercialização do GNL por serem mais flexíveis, econômicos (em comparação aos terminais fixos) e por poderem alcançar em especial onde os gasodutos terrestres não são usados.

Como os terminais flutuantes de processamento de GNL diminuem as restrições geográficas para o comércio de gás natural?

Com o gradual aumento das estruturas de liquefação de gás natural e dos terminais de regaseificação de GNL ao redor do mundo, está sendo possível remodelar o setor de energia devido ao novo leque de opções que os exportadores e importadores de gás natural passam a ter. 

O gás natural em sua forma gasosa, possui fronteiras físicas de exportação devido a malha de gasodutos necessária para transporte do combustível, como ilustrado na imagem abaixo. Portanto, a exportação entre continentes se torna extremamente cara e até mesmo não vantajosa. 

Fonte: https://epbr.com.br/mapa-mundi-dos-dutos/

No caso do GNL, uma vez que o gás passa pelo processo de liquefação, ele pode ser transportado para qualquer parte do mundo. Por essa ótica, este método se torna revolucionário, pois as fronteiras de exportação deixam de existir e o comércio de gás entre continentes se torna possível. 

Como exemplo, podemos analisar o repentino aumento da exportação de gás natural dos Estados Unidos para a Europa, em meio a crise energética europeia acentuada pela guerra da Rússia na Ucrânia. 

Devido às sanções econômicas ocidentais aplicadas à Rússia, Vladimir Putin decidiu cortar indefinidamente o gás com que Moscou abastecia o continente europeu, via gasoduto Nord Stream 1.

Dito isto, observa-se uma vulnerabilidade energética devido a geopolítica, que não poderia ser resolvida facilmente sem a opção de uso dos novos terminais flutuantes de GNL, responsáveis por receber quase 50% de toda a importação de gás pelo continente Europeu, em 2022.

É certo que o GNL americano não pode solucionar a crise energética europeia, mas espera-se que seja suficiente para que os cidadãos não congelem no rigoroso inverno por falta de gás para seus aquecedores. 

Esta alta demanda e pouca oferta de gás, impulsionaram os países da União Europeia a aplicarem esforços para desenvolver ainda mais os terminais europeus de gás natural liquefeito, ao mesmo tempo em que dependem dos terminais de gás flutuantes como medida emergencial para suprirem suas necessidades.

Quais os pontos negativos e positivos da importação de GNL como substituto ao gás natural via gasodutos?

Um dos principais pontos negativos da importação de GNL é seu alto custo. Esse custo deriva da infraestrutura necessária para liquefação, armazenamento, transporte e regaseificação do gás. 

As baixíssimas temperaturas, por volta de -162ºC, demandam materiais específicos que suportem o armazenamento de GNL, evitando os perigos de vazamentos e asfixia para a equipe. Além de um espaço maior de armazenamento, de até 150% do espaço de armazenamento de óleo combustível

No entanto, os pontos positivos do GNL fazem o maior custo e infraestrutura valerem a pena. Isso porque o gás liquefeito é mais limpo que os outros gases naturais, favorecendo o meio ambiente.

O GNL produz 40% menos dióxido de carbono (CO2) do que o carvão e 30% menos do que o petróleo, o que o torna o mais limpo dos combustíveis fósseis.

O GNL também não produz partículas e foligem, além de emitir quantidades quase insignificantes de dióxido de enxofre, mercúrio e outros compostos considerados prejudiciais à atmosfera terrestre.

Entretanto, apesar do GNL ser menos prejudicial ao meio ambiente do que o gás natural, no longo prazo as melhores soluções para uma transformação energética ainda provém de fontes renováveis de energia em lugar de combustíveis fósseis. 

Para além do GNL, os terminais flutuantes detêm benefícios que os terminais convencionais não poderiam oferecer, como: alcançar áreas menores e evitar a construção simultânea de terminais tradicionais o que garante uma maior segurança no abastecimento de energia.

A importância dos terminais flutuantes de GNL para aumentar a resiliência energética de países importadores e suas consequências geopolíticas

A dependência de somente uma fonte energética gera uma grande vulnerabilidade no setor energético, especialmente quando se trata de um nível de dependência nacional ou continental, como no caso mais evidente de 2022: a Europa. 

Por isso, o gás natural liquefeito é uma possibilidade de diversificação de fornecimento de gás para os países que necessitam importar energia, e os novos terminais flutuantes tornam o setor mais resiliente e apto para adaptar-se às situações adversas, como conflitos geopolíticos que podem afetar os setores econômicos e energéticos.

Tomando a União Europeia como exemplo, mas não se restringindo a ela, observa-se que GNL tem a importante e necessária capacidade de melhorar a segurança e soberania energética do continente.

Os países europeus que em meio a guerra na Ucrânia têm acesso a terminais de importação de GNL e mercados de gás líquido são muito mais resilientes a interrupções de fornecimento do que aqueles que dependem de um único fornecedor de gás ou de uma única outra fonte de energia.

Como consequência, o acesso a uma diversidade maior de fornecedores ao redor do mundo que os terminais flutuantes de GNL oferecem pode, não só reduzir os preços, mas também oferecer aos países importadores a flexibilidade de mudança de parceiros comerciais e uma maior autonomia energética. 

Portanto, tendo o GNL como opção de fonte energética e os terminais flutuantes em maior uso, os fornecedores ao redor do mundo terão a possibilidade de fechar acordos comerciais com países que consideram mais confiáveis e até mesmo evitar mercados com potenciais riscos de segurança e fornecimento.

Por fim, o maior investimento e uso dos terminais flutuantes de Gás Natural Liquefeito tem sido um divisor de águas para o comércio de energia mundial, aproximando ainda mais os continentes em termos de dependência energética, além de estar contribuindo para a atenuação da crise de energia em países com escassez, sem contar o benefício de diminuição do impacto ambiental quando o gás substitui fontes energéticas mais poluidoras.

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