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Irã pode Inundar o Mercado Mundial de Petróleo com Novo Oleoduto Estratégico

O Irã começou a enviar petróleo bruto pelo oleoduto Goreh-Jask que passa ao largo do Estreito de Hormuz e termina na cidade portuária de Jask, no Golfo de Omã, de onde o petróleo poderá ser carregado em navios-tanque para exportação.

O gasoduto de 620 milhas será inaugurado oficialmente no final deste ano pelo presidente Hassan Rouhani.

O Irã vem se preparando para a retirada das sanções dos EUA há meses, aumentando sua produção de petróleo e se preparando para aumentar as exportações também.

Enquanto isso, no entanto, o país está aumentando a produção de petróleo e planejando retornar ao nível de produção de 4 milhões de barris diários em três meses. A maior parte disso provavelmente será exportada pelo Estreito de Ormuz.

Porém, com o novo oleoduto, o Irã agora tem uma rota alternativa também que leva o petróleo direto das regiões produtoras no Irã para o Golfo de Omã. Isso dá ao Irã a liberdade de exportar petróleo sem precisar passar pelo Estreito de Hormuz que pode ser facilmente bloqueado pelas forças navais Americanas e seus aliados em caso de conflito ou sanções mais fortes.

Por que a construção do oleoduto Goreh-Jask do Irã é importante?

O oleoduto iraniano Goreh-Jask é de grande importância econômica e geopolítica para o Irã por duas razões principais:

A primeira razão é que o novo oleoduto permitirá que as exportações de petróleo bruto iraniano contornem o Estreito de Ormuz pela primeira vez desde o início da produção de petróleo no Irã no início do século XX.

A segunda razão é que isso aumentará o alcance geopolítico do Irã em grande escala, permitindo que ele seja capaz de usar a ameaça de fechar o Estreito de Ormuz por razões políticas, bloqueando o transporte de um terço do petróleo mundial, sem prejudicar suas próprias exportações de petróleo.

Quais são as possíveis consequências para a região e o mundo do novo oleoduto Iraniano de Goreh-Jask?

– maior facilidade de exportação de petróleo pelo Irã

– mais dinheiro para o Irã investir em armamentos

– coloca o Irã em uma posição mais forte de negociação para conter suas ambições nucleares

– Opec + poderá aumentar a produção de petróleo para “competir” com o Irã

– mais petróleo no mercado, possivelmente levará a uma baixa de preço e menor inflação nos países importadores

– um aproximação da Arábia Saudita e do Irã para tentar evitar essa competição nos preço do petróleo

  1. Como o acesso a energia pode ser uma das maiores forças ou vulnerabilidades de qualquer país em termos geopolíticos, poder exportar petróleo livremente passando por cima das sanções Americanas e possíveis bloqueios, permitirá ao Irã exportar muito mais petróleo e assim financiar suas despesas e aumentar o seu orçamento militar. Isso se adiciona ao fato da China já vir comprando petróleo Iraniano, totalmente ignorando a pressão Americana para não fazer o mesmo.
  1. Como o “Acordo Nuclear do Irã” ou JCPOA (The Joint Comprehensive Plan of Action) está sendo renegociado. Com esse novo acesso ao mercado de petróleo, o Irã terá mais forças para negociar um acordo melhor para ele.
  1. Atualmente, o grupo chamado “OPEC +” ou Joint Ministerial Monitoring Committee (JMMC), que essencialmente é formado por quase todos os países da OPEC, menos o Irã, e mais a Rússia, têm controlado a produção de petróleo no mundo para manter os preços altos. Isso tem levado a preços mais altos de gasolina em países como o Brasil e Estados Unidos, contribuindo para inflação local. Se o Irã começar a inundar o mercado mundial com mais petróleo, ele vai competir com esse acordo da OPEC + e os países do grupo que estão segurando a produção, vão acabar perdendo com produção menor e preços mais baixos.
  1. Com medo de isso acontecer, vem acontecendo nos últimos dias uma aproximação entre o Irã e a Arábia Saudita, com alguns encontros secretos entre oficiais dos dois países e trocas de palavras de afeto entre seus líderes. Por exemplo, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita Mohammed bin Salman – afirmou publicamente que busca “uma relação boa e especial com o Irã…Não queremos que a situação do Irã seja difícil, pelo contrário, queremos que o Irã cresça…e empurre a região e o mundo em direção prosperidade.” Essa declaração vai totalmente contrária aos anos de animosidade entre os dois países.

Independente dessas previsões se realizarem, só essa aproximação entre os principais países da região já é um sinal positivo.

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