Você consegue imaginar três acontecimentos que podem mudar completamente o cenário mundial antes do final deste ano?
E o mais interessante é que eles não têm absolutamente nada a ver uns com os outros.
Um está acontecendo na Rússia.
Outro está acontecendo no mundo da inteligência artificial e dos mercados financeiros.
E o terceiro vai acontecer nos Estados Unidos.
Mas existe uma coisa em comum entre os três:
se as coisas saírem do controle, as consequências podem ultrapassar muito as fronteiras desses países.
Então hoje eu quero mostrar para vocês três eventos que eu estou acompanhando muito de perto nos próximos 45 dias.
E o terceiro talvez seja o mais perigoso de todos.
1. O QUE VAI ACONTECER NA RÚSSIA DEPOIS DAS ELEIÇÕES?
Começando pela Rússia.
A eleição para a Duma, o parlamento russo, está acontecendo agora, entre os dias 18 e 20 de setembro.
É a primeira eleição parlamentar russa desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia.
Mas, sinceramente, o resultado da eleição talvez seja a parte menos interessante.
O partido de Vladimir Putin, o Rússia Unida, deve continuar dominando a Duma, enquanto a oposição anti-guerra praticamente não teve espaço para participar.
Então a pergunta realmente importante é:
o que Putin vai fazer depois da eleição?
Existe uma preocupação crescente de que o Kremlin possa usar o período posterior à eleição para aumentar drasticamente o recrutamento militar.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou em agosto que a Rússia poderia mobilizar cerca de 300 mil pessoas depois das eleições, como parte de um plano mais amplo para aumentar suas forças.
É importante deixar claro: isso é uma alegação ucraniana, e não uma confirmação independente de que essa mobilização acontecerá.
Mas o cenário é extremamente importante.
Porque uma nova mobilização em massa poderia produzir pelo menos três consequências muito diferentes.
A primeira seria simplesmente colocar mais soldados russos na Ucrânia.
A segunda seria provocar uma nova onda de russos tentando deixar o país para evitar o serviço militar.
E nós já vimos isso acontecer em 2022, quando centenas de milhares de russos deixaram o país depois da mobilização parcial.
Mas existe uma terceira possibilidade, muito mais extrema.
E se uma nova mobilização começar a gerar uma crise política dentro da própria Rússia?
Porque existe uma diferença enorme entre mandar soldados profissionais para uma guerra distante e começar a convocar centenas de milhares de cidadãos comuns.
Pais.
Filhos.
Irmãos.
Pessoas das grandes cidades.
Pessoas que até agora conseguiram manter a guerra relativamente distante de suas vidas.
Se o custo humano aumentar muito, a pergunta passa a ser:
até onde a sociedade russa está disposta a aceitar essa guerra?
Isso não significa que uma revolução ou o fim da Federação Russa sejam inevitáveis.
Muito pelo contrário.
O Estado russo continua tendo enormes mecanismos de repressão e controle.
Mas é justamente por isso que eu acho esse momento tão interessante.
Porque, depois das eleições, podemos descobrir se o Kremlin acredita que precisa aumentar drasticamente o esforço de guerra.
E se isso acontecer, a reação da população russa pode ser uma das histórias mais importantes dos próximos meses.
2. O S-1 DA ANTHROPIC PODE ESTOURAR A BOLHA DA IA?
Agora vamos sair completamente da Rússia e ir para o mundo da tecnologia.
E aqui temos uma empresa chamada Anthropic, criadora do Claude.
A Anthropic está preparando uma das IPOs mais aguardadas da história da inteligência artificial.
E existe um documento que pode ser muito mais importante do que o próprio IPO:
o S-1.
Para quem não está familiarizado com o mercado americano, o S-1 é o documento que uma empresa apresenta à SEC antes de abrir seu capital.
E é ali que os investidores conseguem olhar muito mais profundamente para os números da empresa.
Receita.
Despesas.
Prejuízos.
Fluxo de caixa.
Dívidas.
Riscos.
E principalmente:
quanto dinheiro a empresa realmente está queimando para desenvolver inteligência artificial.
A Anthropic teria adiado seu IPO, que era esperado anteriormente para outubro, para novembro.
E isso está acontecendo em um momento particularmente interessante.
Porque existe uma pergunta cada vez mais importante no mercado:
quanto vale realmente toda essa revolução da inteligência artificial?
Nós já vimos valuations gigantescos.
Centenas de bilhões.
E até trilhões de dólares sendo atribuídos às empresas de IA.
Mas existe um problema.
Construir inteligência artificial de ponta custa uma quantidade absurda de dinheiro.
São chips.
Data centers.
Energia.
Pesquisa.
Engenheiros.
Infraestrutura.
E existe uma possibilidade que pode deixar investidores bastante desconfortáveis:
e se as empresas de IA estiverem crescendo muito, mas gastando ainda mais?
A OpenAI, por exemplo, também vem enfrentando enormes necessidades de capital, e seu IPO não está planejado para 2026.
Então imagine o seguinte cenário.
A Anthropic publica seu S-1.
E os números mostram que, apesar de uma receita crescendo rapidamente, a empresa ainda precisa gastar quantidades gigantescas de dinheiro para sustentar esse crescimento.
Nesse momento, o mercado pode começar a fazer uma pergunta muito desconfortável:
“Espera aí… quanto tempo vai levar para essas empresas realmente ganharem dinheiro?”
E isso pode afetar muito mais do que a Anthropic.
Porque o mercado de inteligência artificial está conectado a uma cadeia enorme.
Nvidia.
Fabricantes de chips.
Data centers.
Empresas de energia.
Construtoras.
Cloud computing.
E, obviamente, o mercado de ações.
Se os investidores começarem a acreditar que algumas dessas empresas estão extremamente supervalorizadas, podemos ter uma correção muito forte.
E uma correção no setor de tecnologia pode contaminar o resto do mercado.
Agora, isso significa que teremos uma nova crise financeira ou uma recessão?
Não necessariamente.
Essa é uma possibilidade, não uma previsão.
Mas é exatamente por isso que eu quero acompanhar esse S-1.
Porque talvez ele nos dê uma das primeiras oportunidades de enxergar, com números públicos, a verdadeira economia por trás do boom da inteligência artificial.
E se os números forem muito piores do que o mercado espera…
pode ser que a história da inteligência artificial em Wall Street mude completamente.
3. E SE TRUMP PERDER O CONGRESSO?
E agora chegamos ao terceiro evento.
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
Elas acontecem no dia 3 de novembro de 2026.
E aqui existe um cenário que pode transformar completamente a segunda metade do mandato de Donald Trump.
Imagine que os democratas consigam conquistar a maioria na Câmara.
E, além disso, consigam conquistar também a maioria no Senado.
O presidente continuaria sendo Donald Trump.
Mas o Congresso mudaria de mãos.
E isso teria enormes consequências.
Porque o presidente dos Estados Unidos não governa sozinho.
O Congresso controla legislação, orçamento, investigações e tem poderes importantes de fiscalização sobre o Executivo.
Então uma mudança simultânea nas duas casas poderia criar um dos períodos de maior confronto institucional da história recente dos Estados Unidos.
Mas existe algo ainda mais importante.
O que aconteceria se Trump se recusasse a aceitar determinadas ações do novo Congresso?
Nós já sabemos que Trump tentou contestar o resultado da eleição de 2020.
E jornalistas e organizações de pesquisa vêm documentando mudanças nas estruturas e salvaguardas que anteriormente limitavam a interferência presidencial no processo eleitoral.
Isso não significa que Trump necessariamente tentaria impedir congressistas eleitos de assumir seus cargos.
Não temos como afirmar isso.
Mas podemos perguntar:
E se surgir uma disputa sobre a validade de determinados resultados?
E se houver acusações de fraude?
E se governos estaduais e o governo federal discordarem?
E se o Congresso tentar investigar o presidente?
E se Trump tentar bloquear determinadas ações do Congresso?
E se os tribunais forem chamados para decidir quem tem autoridade?
É aí que a coisa pode ficar realmente séria.
Porque os Estados Unidos possuem uma característica muito importante:
o sistema funciona não apenas porque existem leis, mas porque as instituições aceitam os limites dessas leis.
Se diferentes partes do governo começarem a interpretar esses limites de maneiras completamente diferentes, você pode ter uma crise constitucional.
E isso não seria apenas um problema americano.
Os Estados Unidos continuam sendo a principal potência militar e financeira do mundo.
Uma crise política interna em Washington pode afetar mercados.
Alianças.
Ucrânia.
OTAN.
China.
Oriente Médio.
E a própria economia mundial.
E AGORA JUNTEMOS OS TRÊS
Então vamos recapitular.
Nos próximos aproximadamente 45 dias, temos:
Rússia: uma eleição parlamentar que acaba de acontecer e a possibilidade de uma nova mobilização militar depois dela.
Inteligência artificial: o possível S-1 da Anthropic e a possibilidade de o mercado finalmente enxergar os números reais por trás de uma das maiores empresas de IA do mundo.
Estados Unidos: eleições de meio de mandato que podem mudar o controle do Congresso e criar um confronto muito maior entre o Executivo e o Legislativo.
Cada um desses eventos, isoladamente, já seria importante.
Mas o que me chama atenção é que eles estão acontecendo praticamente ao mesmo tempo.
E existe ainda uma quarta variável conectando tudo isso:
a confiança.
Confiança dos russos no governo.
Confiança dos investidores na inteligência artificial.
E confiança dos americanos nas próprias instituições democráticas.
Se qualquer uma dessas três coisas sofrer um choque muito grande, as consequências podem ser enormes.
Agora, talvez nada disso aconteça.
Talvez a Rússia não faça uma grande mobilização.
Talvez o S-1 da Anthropic mostre números muito melhores do que o mercado espera.
E talvez as eleições americanas aconteçam normalmente e o sistema político absorva qualquer mudança no Congresso.
Mas é exatamente por isso que eu estou de olho nesses três eventos.
Porque às vezes a história não muda com um único grande acontecimento.
Às vezes ela muda quando várias coisas começam a acontecer ao mesmo tempo.
E os próximos 45 dias podem ser um período muito interessante para descobrir se estamos diante de apenas mais um ciclo político e econômico…
ou do começo de algo muito maior.



















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